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[Resenha #12mesesdepoe] • Novembro: Ligéia | De Olho Na Estante

O homem não se submete aos anjos nem se rende inteiramente à morte, a não ser pela fraqueza de sua débil vontade.

E aí pessoal!Hoje iremos falar do conto Ligéia, referente ao mês de Novembro no nosso desafio #12mesesdepoe. Um dos contos mais intrigantes de Poe e que mais taciturnamente nos revela seus mistérios, aqui mergulhamos em um universo sombrio, em uma atmosfera de misticismo, envolvendo temáticas relacionadas à vida, à morte e a imortalidade.


O conto se inicia mais uma vez a partir de um narrador de nome desconhecido, e que aqui irá nos contar a história e as características marcantes de seu grande amor, sua esposa Ligéia.

Esta mulher é amplamente descrita como extremamente bonita, inteligente, divina e de inestimável existência; porém um detalhe nos chama a atenção: seus cabelos, “mais negros do que as asas de corvo da meia-noite”.

Novamente aqui temos uma parte do corpo sendo evidenciada; no conto O Coração Denunciador eram os olhos esbranquiçados de um velho, enquanto que em Berenice os dentes eram destacados. Em Ligéia, seus cabelos são constantemente citados e possuem papel fundamental no entendimento profundo da trama.

Com o decorrer da trama, vemos que o narrador e Ligéia então finalmente se casam, e a cada dia que se passa, a erudição erudição da mulher impressiona mais e mais o marido. Possuinte de grande conhecimento das áreas da ciência, além de grande proficiência nas línguas clássicas, ela demonstra grande interesse acerca da metafísica, e pelo que eu pude entender, pelo estudo de saberes proibidos.

No entanto, sua amada acaba por adoecer, e em consequência, sua vida é amplamente modificada pela enfermidade que, cada vez mais se agrava. O narrador percebe então que nada mais será possível fazer para trazer à normalidade sua amada Ligéia. No leito de morte, a esposa pede então para que ele leia um poema que ela mesma escreveu; poema este que retrata uma visão sombria acerca da vida, da morte e do que se configura como imortalidade.

Após lutas intermináveis contra a morte, finalmente seu corpo cede e Ligéia morre. Angustiado, infeliz e desesperado, o narrador então passa muito tempo pensando em seu maior amor. Eis porém que ele conhece outra mulher, chamada Rowena e se casa com ela. No segundo mês de casamento porém, esta também é acometida por uma grave doença e acaba por se encontrar também face a face com a morte. Porém o que eles não sabiam é que o desejo pela vida é mais forte que tudo e até mesmo o que parecia finalizado poderia ser apenas o início do mais terrível pesadelo…

Análise com SPOILERS:

Durante a maior parte da narrativa recebemos informações que funcionam como peças de um possível quebra-cabeças. Ao meu ver, porém, uma questão se configura como central: os estudos de Ligéia pelo desconhecido; informação esta que Poe nos dá bem sutilmente durante seu período de descrição da personagem. Outra peça fundamental é o trecho repedido várias vezes ao longo da trama:

O homem não se submete aos anjos nem se rende inteiramente à morte, a não ser pela fraqueza de sua débil vontade.

Tal trecho exprime uma ideia de que só há a morte ou pela fraqueza ou pela própria vontade do homem, logo podemos imaginar que, teoricamente, se você não deseja morrer, pode acabar de alguma forma conseguindo retornar à vida. Deste modo, Ligéia combinando seu desejo intenso de viver com seus conhecimentos pelo oculto, poderia ter encontrado uma forma de renascer: através do corpo de Rowena, a segunda mulher do narrador sem nome.

Por outro lado, desde a morte de sua amada Ligéia, o narrador sem nome tornou-se um viciado em drogas, logo todos os relatos podem ser distorcidos e a ressurreição final de Ligéia poderia nunca ter acontecido.

Nota: ★★★★★★★★★★ (10/10 estrelas)

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Autor:

Um leitor compulsivo, viciado em livros de terror, ficção e fantasia, além de fã maluco de Game of Thrones. Esse blog surgiu de um desejo antigo de compartilhar sempre que possível, um pedacinho desse incrível universo literário que nos cerca, então... seja bem vindo!

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