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[Resenha #12mesesdepoe] -Junho: O Enterro Prematuro | De Olho Na Estante

Ser enterrado vivo é, sem discussão, o mais medonho desses extremos que jamais se abateram sobre a casta de mera mortalidade. Que isso tenha ocorrido com frequência, com muita frequência, dificilmente poderá ser negado por aqueles que pensam…

E aí pessoal! Devido a imensos problemas não pude prosseguir como queria com o desafio, infelizmente muitas coisas atrasaram, mas tentando recuperar o tempo perdido, agora irei postar as resenhas dos contos! O conto indicado para o mês de Junho foi O Enterro Prematuro, uma macabra e sombria narrativa que relata histórias de pessoas que foram enterradas vivas e que acabaram sobrevivendo, disseminando então os terrores por elas vivenciados.


Um pavor real e que ainda assombra o imaginário popular: o macabro horror de ser enterrado vivo e acabar consciente, debaixo de sete palmos de terra, definhando por horas ou dias, até a completa asfixia pela falta de oxigênio.

Já pararam para pensar que, por inúmeros motivos, uma pessoas pode sim ser dada como morta, mesmo não tendo realmente falecido e acabar sendo enterrada viva. Existem algumas enfermidades em que há a completa cessação das funções aparentes de vitalidade, que dão a impressão de que o indivíduo está realmente morto, enquanto que está de fato em um verdadeiro período de transe.

É nessa atmosfera que Poe tece sua história, que através de um narrador misterioso, nos relata os mais macabros casos de pessoas que foram enterradas vivas.

Em uma pequena cidade, vizinha à Baltimor, uma mulher, esposa de um dos mais respeitáveis cidadãos locais, é acometida por uma desconhecida enfermidade. Pouco tempo se passa porém, e a mulher acaba por falecer; ou era isso que então todos pensavam. A senhora foi depositada em sua cripta familiar, que permaneceu intocada por três anos. Passado esse prazo, o marido decidiu abri-la, para deixar em um sarcófago, o corpo da amada esposa. O grande choque no entanto se deu ao abrir as portas, pois um estranho objeto em vestes brancas desabou em seus braços. Descobriu-se então que a mulher, claramente enterrada viva, acabou por escapar do caixão, vindo a falecer em uma tentativa frustada de escapar dali ou mais simplesmente, apenas por puro terror, apodrecendo então ereta durante todos aqueles anos.

Relatos como este são detalhadamente contados ao longo da história, porém algo que nos chama a atenção é o fato de o próprio narrador possuir uma anomalia chamada de Catalepsia. Este distúrbio é uma condição patológica em que a pessoa permanece com os músculos enrijecidos, semelhantes aos do corpo de um cadáver em rigor mortis, o que pode fazer com que deem a pessoa como morta, enquanto ela está somente paralisada em função da doença. O diferencial é que em nosso narrador, conforme é descrito no conto, esse período de transe pode durar de semanas até meses. Isso acaba por causar nele um verdadeiro pavor, que torna-se quase paranoico.

Tendo em vista a possibilidade de ser enterrado vivo, ele arquitetou seu próprio túmulo, modificando sua cripta familiar de modo que, se fosse enterrado durante seus surtos de catalepsia, pudesse dali escapar. No entanto, nem mesmo o mais engenhoso dos planos pode modificar o que lhe é predestinado pelo destino… e se você pensa que este é o fim, está muito enganado.

O medo da morte sempre foi algo muito presente durante toda a nossa história, e de modo maestral, ele nos traz aqui a questão do enterro prematuro. Com um final duplamente inesperado, permeado em uma atmosfera gótica, marcada por elementos claustrofóbicos, Poe nos encanta e assombra com sua genialidade fora do comum.

Se quiser acessar o conto na íntegra basta clicar aqui: O Enterro Prematuro, de Edgar Allan Poe

Nota: ★★★★★★★★★★ (10/10 estrelas)

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Autor:

Um leitor compulsivo, viciado em livros de terror, ficção e fantasia, além de fã maluco de Game of Thrones. Esse blog surgiu de um desejo antigo de compartilhar sempre que possível, um pedacinho desse incrível universo literário que nos cerca, então... seja bem vindo!

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