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[Resenha] • O Menino Que Desenhava Monstros, de Keith Donohue | De Olho Na Estante

E aí pessoal! Me respondam uma coisa, quem nunca acordou no meio da noite, em prantos, ao acordar de um macabro pesadelo ou quem nunca, em algum momento da vida olhou debaixo da cama para ter certeza de que não há monstros embaixo dela, ou até mesmo deixou a luz ligada na hora de ir beber um copo d’água de madrugada, só para se livrar daquela terrível sensação de estar sendo vigiado? Muitas das pessoas, principalmente os adultos, arquitetam em suas mentes desculpas e argumentações para esses eventos estranhos, e por mais que isso os perturbem eles tentam manter a calma; agora imagine isso na mente de uma criança. Barulhos estranhos vindos do lado de fora do seu quarto e pancadas nas janelas no meio da noite podem assustar, mas qual a alternativa para tentar esquecer isso? Desenhar seus medos pode não ser a melhor de suas escolhas…


Diferente de muitos livros de terror e suspense, que a todo custo tentam te assustar logo na primeira página, O Menino Que Desenhava Monstros te leva pelo caminho contrário. Criando uma atmosfera leve que te prende pela curiosidade do que poderá vir à frente, ele gradativamente e de forma bastante sutil, te apresenta o terror oculto, o mais nocivo e claustrofóbico que pode existir, aquele que está dentro da sua própria mente. O desconhecido sempre foi o mais perigoso, como quando se caminha sobre um monte instável, podendo afundar e cair, e nunca mais se levantar. Tão logo você se aprofunda na narrativa, acaba por vivenciar esse fantasmagórico e desconfortável cenário, que entre fantasmas, monstros e um passado horrendo constitui sua essência.

O livro vai lhe contar então a história de Jack Peter Keenan, um menino de dez anos, portador da Síndrome de Asperger, uma condição neurológica do espectro autista, que dificulta a interação, a comunicação e a socialização com outras pessoas.

Tudo se tornou ainda mais difícil quando um terrível acidente à beira-mar que quase o matou, deixou Jack com graves sequelas e fobias por lugares abertos. Seus pais a todo custo lutavam para fazer com ele se livrasse desse medo, mas tudo era em vão; com o passar do tempo, seus medos, ao invés de diminuírem, foram se condensando e se tornando cada vez maiores. Uma simples ida ao médico era uma provação, com ele sempre se negando a botar os pés para fora de casa. Morando na costa do Maine, à beira da praia, Jack só não vivia em uma reclusão completa graças a presença de seu único amigo, Nick, e eram nesses momentos juntos que a brincadeira e a imaginação rolavam soltas. Parecia que a cada dia eles estavam obcecados por algo diferente, em uma semana, guerra de soldadinhos parecia legal, na outra quadrinhos tomavam tardes inteiras, mas agora parece que há uma brincadeira favorita, desenhar monstros.

A dificuldade de lidar com Jack é algo bastante visível ao longo da trama, em que os pais querem acreditar que o menino vai melhorar e vai conseguir ser “normal”, porém suas esperanças tornam-se cada vez mais fracas ao verem os problemas de seu filho se intensificarem cada vez mais. Jack passa horas desenhando, o que é bom, pois talvez essa seja uma forma de ele se expressar e assim, seus pais possam o compreender melhor e o ajudar; porém ele começa a se queixar de monstros embaixo da cama e seus sonhos de uma hora para outra começam a ser infestados por pesadelos, o que o tornou tão frágil que com um simples toque ele se sentia desconfortável e um susto bastou para o tornar agressivo. No início, seus pais pensavam que tudo não passa de sua imaginação, mas começaram a ter suas próprias dúvidas quando barulhos estranhos, pancadas nas laterais da casa e vultos de criaturas misteriosas nos arredores passaram a ser constantes.

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Misturando realidade e ficção, O Menino Que Desenhava Monstros explora com uma sutileza sem igual os recônditos da mente humana e os maiores medos da infância, e consegue, através de uma ágil narrativa e ambientação perfeitas criar um incrível um suspense psicológico. A trama, envolvida com histórias assustadoras e acontecimentos tenebrosos te choca com um final inesperado, o levando imediatamente a pensar no poder que temos, e que muitas das vezes não conseguimos enxergar devido aos nossos próprios medos.

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Autor:

Um leitor compulsivo, viciado em livros de terror, ficção e fantasia, além de fã maluco de Game of Thrones. Esse blog surgiu de um desejo antigo de compartilhar sempre que possível, um pedacinho desse incrível universo literário que nos cerca, então... seja bem vindo!

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