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[Resenha #12mesesdepoe] – Março: Hop-Frog | De Olho Na Estante

Nosso rei, como é natural, mantinha seu “bobo”. O fato é que ele sentia a necessidade de algo, no gênero da loucura, sem falar de si mesmo, que contrabalançasse a pesada sabedoria dos sete sábios, seus ministros.

E aí pessoal, dando continuidade ao incrível desafio #12mesesdepoe, falaremos sobre o genial conto Hop-Frog, em que Poe brilhantemente explora elementos da personalidade  e caráter humanos, gerador muitas das vezes, dos mais sórdidos ideais.


Ao meu ver, o que diferencia Poe, tornando-o tão especial e marcante é sua extensa capacidade de transpor situações, por mais fantasiosas e imaginativas que sejam, ao universo da mente humana, com uma constante correlação com a vida cotidiana. E é exatamente isso que vemos no conto Hop-Frog. Poe consegue criar, mesmo que de forma simples, um universo detalhado que nos leva de maneira gradual ao ápice da narrativa, quase tecendo em nossas cabeças um cenário, em que imaginaremos toda a construção da trama.

Diferentemente do conto O Demônio da Perversidade, não vemos aqui um profundo estudo da mente humana, com indagações e questionamentos que levam o leitor a imaginar mil e uma possibilidades para determinado ocorrido, mas sim a sutil exploração do homem em confronto com situações limites “impostas” a ele.

Somos inseridos em um cenário aparentemente medieval, com um monarca, seus ministros e seu bobo da corte. Este último, recebia o nome de Hop-Frog (que significa sapo saltador, ou rã saltadora) devido a ser anão e coxo. Ele e uma amiga chamada Tripetta, também anã, foram capturados por guardas e enviados como presentes para o rei, sendo forçados desde então a servirem aos deleites e vontades de vossa majestade.

Certo dia, o Rei decide dar um baile de máscaras, porém já sem grande criatividade, decide chamar Hop-Frog e Tripetta para ajudá-lo com a questão das vestimentas. Mas um incidente acaba provocando a ira do anão, que já não aguentando mais aquela situação recorrente arquiteta uma inteligente vingança.

A genialidade de Poe aqui é indiscutível. Ele vai moldando, de maneira bem gradual, as personalidades dos personagens e suas relações. De um lado, um rei autoritário e desprezível, do outro um anão, coxo, que constantemente é humilhado devido a sua incapacidade de andar normalmente.

O conto é bem curtinho, tem cerca de sete páginas, mas a viagem proporcionada por ele é sem igual; cada conto é uma experiência, como se você viajasse para um local nunca antes visitado, em que você a cada passo descobre mais do que imaginava haver ali. Para acessar o conto clique aqui: Hop-Frog, e boa viagem!

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Autor:

Apaixonado por livros de Terror, Ficção e Fantasia, e muito fã de Game of Thrones #DominGOT! Esse blog surgiu de um desejo antigo de compartilhar sempre que possível, um pedacinho desse incrível universo literário que nos cerca, então... seja bem-vindo!! 📖📚

2 comentários em “[Resenha #12mesesdepoe] – Março: Hop-Frog | De Olho Na Estante

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